06 – A lei da Mais- Valia

A Lei da mais-Valia – Lei económica principal do capital: As particularidades da sua acção nas condições actuais: a teoria da Mais-Valia, como argumentação económica da luta de classes do proletariado pela transformação revolucionária da sociedade.

A produção da mais-valia é a lei económica fundamental do capitalismo.

A produção do máximo de mais-valia é o objectivo supremo da produção capitalista – esta a lei económica fundamental  da produção capitalista.

Produção do máximo da mais-valia através da sempre crescente exploração do trabalho assalariado na base da ampliação da produção.

Esta lei mostra, em nome do que e como decorre a produção capitalista e exprime a essência da exploração capitalista.

A lei da mais-valia é o principal regulador do complexo mecanismo da economia capitalista.

Na corrida à mais-valia máxima os capitalistas introduzem nova técnica, desenvolvem as forças produtivas e fazem a transferência de capital de um ramo para o outro.

A mais-valia é a fonte da acumulação e de ampliação da produção.

Antes das lutas pela redução do dia de trabalho e da introdução da técnica na industria, o capitalista aumentava os seus lucros através do aumento da jornada de trabalho – mais-valia absoluta.

Hoje, instauradas as 8 horas de trabalho diário, e com a introdução da técnica moderna na industria o capitalista aumenta a mais-valia através da intensificação do trabalho que lhe propociona o mesmo lucro que o aumento da jornada de trabalho.

Com o auxilio das  máquinas, os capitalistas agravam as condições de trabalho dos operários e procuram quebrar a resistência que este opõem a um exploração cada vez mais intensiva.

Ao elevar a produtividade, do trabalho, a máquina aumenta a riqueza da sociedade. Mas, sob o sistema capitalista, todos os frutos do aumento dessa produtividade são açambarcados pelos capitalistas.

A teoria da mais-valia, formulada por Marx, revelou o segredo da exploração capitalista. Esta teoria ensina a classe operária e todos os trabalhadores dos países capitalistas a verem as verdadeiras causas das sua privações  e dos seus males.

Mostra que a opressão da classe operária e de todos os trabalhadores não resulta do acaso, do arbítrio dos capitalistas particulares mas de todo o sistema do capitalismo, da própria natureza das relações  de produção capitalistas.

O mérito de Marx consiste em ter descoberto a lei económica objectiva, na base da qual se efectua a exploração do proletariado e são criadas as premissas da derrota revolucionária do capitalismo.

Na base da teoria da mais-valia, Marx revelou a causa das contradições antagónicas entre o proletariado e a burguesia, mostrou a inevitabilidade da luta de classes na sociedade burguesa, cujo crescimento conduz objectivamente à derrota revolucionária do capitalismo.

Lenine escrevia” A inevitabilidade da transformação da sociedade capitalista em sociedade socialista é deduzida inteira e exclusivamente da lei económica do movimento da sociedade moderna” ou seja, da lei da mais-valia.

A doutrina de Marx sobre a mais-valia é um poderoso instrumento ideológico na luta do proletariado contra os exploradores.

O salário, a sua essência e suas formas

Transformação do preço da força de trabalho em salário.

Valor – forma objectiva do trabalho social despendido para produzir uma mercadoria. Expresso em dinheiro o valor é o preço da força de trabalho.

O salário do operário não constitui o valor ou preço do seu trabalho. Se o capitalista pagasse ao operário o «valor do trabalho», deixaria de existir mais-valia.

O trabalho não tem valor, não é mercadoria. O trabalho é o criador do valor das mercadorias, mas o trabalho não é mercadoria, nem tem valor.

O que se chama «Valor do trabalho» é , na realidade, o valor da força de trabalho.

O salário não é o que parece ser, isto é, o valor- ou o preço -do trabalho, mas somente uma forma disfarçada do valor – ou do preço- da força de trabalho.

O salário é apenas o pagamento de uma parte do dia de trabalho. O salário disfarça as relações da exploração capitalista.

Formas de salário:

  1. 1.    Por tempo;
  2. 2.    Por tarefa (por peça).

Por tempo: forma na qual a grandeza do salário do operário depende do tempo por ele trabalhado;

O preço do trabalho – dividindo o valor diário médio da força de trabalho pelo número de horas da jornada média de trabalho, acha-se o preço do trabalho. O valor monetário de certa quantidade de trabalho.

O salario por dia, por semana, etc. pode permanecer o mesmo embora o preço do trabalho caia continuamente.

O aumento da intensidade do trabalho também significa, em essência, a queda do preço da hora de trabalho, uma vez que com maior dispêndio de energia, o que de facto equivale ao prolongamento do dia de trabalho, o pagamento permanece o mesmo que antes.

Salário por peça: Forma na qual a grandeza do salário do operário depende da quantidade de artigos elaborados, peças fabricadas, ou operações realizadas na unidade de tempo estabelecida.

A taxa de pagamento por peça é fixada, pelo capitalista, de tal maneira que o salário de uma hora( um dia ou 1 semana) do operário não seja mais elevada que o salário por tempo.

Esta forma cria no operário a ilusão de que vende ao capitalista, não a sua força de trabalho mas o seu trabalho e recebe o completo pagamento do trabalho, de acordo com a quantidade de produtos produzidos.

O sistema capitalista de pagamento por tarefa acarreta a permanente intensificação do trabalho.

Salário nominal e salário real:

Salário nominal:- É expresso em dinheiro, é a quantia em dinheiro que o operário recebe pela venda da sua força de trabalho ao capitalista.

Salário real:- É o salário expresso em meios de subsistência do operário. Indica quantos e quais os artigos de consumo e serviços o operário consegue comprar co o seu salário em dinheiro.

O salário nominal não reflecte a dinâmica do nível de vida dos trabalhadores. Este aspecto é reflectido no salário real, quer dizer, a soma dos preços das mercadorias e serviços que o operário pode adquirir com o seu salário nominal.

I.S.R = I.S.N/I.P.C.X 100

ISR – Índice salário real

ISN – Índice salário nominal

IPC – Índice preços no consumidor.

Os factores que influem na dinâmica do salário real:

  1. Os preços;
  2. Impostos;
  3. Grau de exploração;
  4. A dinâmica do valor da força de trabalho.

Ver obras escolhidas de Marx e Engels – Edições Avante- Volume II – Pag. 29 a 78

Foi – e é – por necessidades sociais que os humanos começaram a trocar mercadoria(M)

                                          

Outrora trocando-as directamente, surgiu a determinado momento histórico o dinheiro (D)como meio para facilitar a a troca entre mercadorias.

.

Surge também a possibilidade de sobressaltos na circulação, que ocorrem quando por algum motivo as pessoas deixam de colocar dinheiro em circulação, são as ditas crises. Entretanto, no capitalismo, o dinheiro deixou de ser um meio para trocas entre mercadorias de valor equivalente, passando elas a ser o meio para a obtenção de mais-dinheiro (D’), sendo agora este a ser o fim

Porque a partir de uma quantidade de dinheiro busca-se obter mais dinheiro – D’ -, tornaram-se as crises inerentes ao capitalismo. De que forma?

Mais-Valia, Taxa de Exploração; Taxa de Lucro; Composição Orgânica do Capital

Lucro decorre da Mais-Valia (m). Sendo que esta provém da diferença entre o valor produzido por um trabalhador e o salário que lhe é pago. Por outras palavras, é o tempo detrabalho não remunerado. Logo, o lucro vem directamente ou indirectamente do trabalho humano, do trabalhador. Daí, ainda podemos calcular a taxa de exploração (m’), por exemplo, se o valor produzido por um trabalhador durante um ano é de 40000$ e a mais-valia de 20000$, então: [1]

Taxa de Exploração

O que interessa ao capitalista é o lucro e a busca por maiores taxas de lucro. Ele precisa de saber se o valor que legalmente rouba aos seus trabalhadores – a mais-valia (m) – é superior ao capital que investe em capital constante (k) e capital variável (v). Sendo o capital constante a maquinaria, matérias-primas… e o capital variável a compra de força de trabalho aos trabalhadores. Logo, matematicamente a taxa de lucro representa-se assim:

Taxa de Lucro

Juntando as duas equações, em que m=m’v, obtemos:

Taxa de Lucro (incluindo a taxa de exploração)

Ficando claro que a taxa de lucro (l’) é proporcional à taxa de exploração (m’). E além desse pormenor completamente insignificante², vê-se a interdependência entre a taxa de lucro e a composição orgânica do capital, que é a relação entre capital constante (k) ecapital variável (v).     Composição Organica do Capital

O incessante e impetuoso desenvolvimento técnico, impulsionado pela concorrência entre capitalistas, obriga-os a investirem em maquinaria (capital constante) que lhes permiteproduzir o mesmo com menos tempo de “trabalho vivo” (capital variável). Portanto, na sua busca pela reprodução de capital, tendem a investir mais em capital constante (k) e menosem capital variável (v), aumentando tendencialmente a composição orgânica do capital (coc) e a taxa de lucro tende a diminuir. O desemprego resulta deste maior investimento em capital constante em prejuízo do capital variável, tornando-se assim também mais difícil aos capitalistas obter a mais-valia.

Os capitalistas para contrariar a tendência para a baixa taxa de lucro tendem a aumentar ataxa de exploração. Simultaneamente, incentivam ao consumo enquanto o poder de comprados trabalhadores tende a baixar. Esta diminuição poder de compra – que em Portugal conhecemos bem – é um dos motivos para se comprar menos mercadorias. Assim, a tal circulação D-M-D’ abranda e… dão-se as crises.

O capitalismo para “sobreviver” às suas próprias contradições desenvolveu uma enorme financeirização da economia, trocando-se o dinheiro directamente por mais dinheiro e sem passar directamente pela produção.

Tal não tem utilidade social e funciona meramente por considerações especulativas. O D-D’ é a espera de que as mercadorias, onde os “pacotes de investimento” se levantam, subam de valor. Mas a valorização dessas mercadorias estão limitadas pela dita economia real – como explicado acima – e o sistema financeiro tem sempre o momento em que cai na realidade…

É certo que o funcionamento da economia não tem esta simplicidade, mas limitamo-nos a referir a base onde toda a dinâmica capitalista – cada vez mais complexa – assenta.

O lado A e B dos singles da música dominante

Esta rápida excursão pela teoria económica marxista não pretende ser um mero exercício de doutrina. Estamos conscientes dos perigos da cristalização dos conceitos e princípios. E antecipamos o juízo taxativo, ou preconceituoso, nos termos do nosso post anterior: “lá estão eles com a k7″. Sendo assim, gostaríamos de passar em revista algumas tendências do discurso dominante, uma vez que reconhecemos nele algumas das características do… vinil.

                                                                                              LADO A

Em primeiro lugar, o defeito do disco riscado. Há que aumentar a competitividade da nossa economia para responder às exigências crescentes da economia num contexto globalizado, repetem-nos exaustivamente. E, lá pelo meio, dizem (e fazem!) o que verdadeiramente lhes interessa: há que aliviar a pressão do Trabalho na actividade económica. E para isto pode contribuir a subtracção do poder de negociação e reivindicação da classe trabalhadora – como foi o caso do Código Laboral do PS – ou, de forma mais palpável, a diminuição dos salários. Em ambas as formas revemos a luta empreendida pela classe dirigente para o aumento da taxa de exploração, como explicitada acima.

E contudo, a coberto da crise, vemos surgir apelos claros para que esta tendência objectiva do Capital seja interiorizada pelos trabalhadores, criando bases subjectivas para que ossalários não subam, justificando-se com a defesa do emprego. Apelos que para o a classe assalariada subscreva – uma vez mais: lá está o disco riscado! – os ditames da ordem capitalista.

                                                                               LADO B

Uma outra característica dos discos de vinil, e em particular dos singles (amontoam-se as analogias políticas sofríveis), é a do lado B dos discos, que correspondia às versões alternativas das músicas do lado A. E muitas vezes apenas para ocupar o espaço de gravação que restava…

Para ir direito ao assunto, nas suas expressões actuais, o lado B defende essencialmente um relifting do neo-liberalismo para um “capitalismo regulado e ético“, como consequência da profunda “crise de valores” a que o “anterior” modelo nos conduziu. Segundo esta versão alternativa da realidade houve uns quantos tipos imoraisque ora montavam elaboradas fraudes financeiras, ora executavam empréstimos que deixaram uma série de desgraçados endividados; quando não dispersavam os seus capitais por investimentos que prometiam altos lucros, tantas vezes aproveitando-se excessivamente de offshores que visavam tão só incrementar o desenvolvimento de regiões empobrecidas.²

Nós cá não gostamos de singles

Acontece que a crise não é resultado da falta de ética dos seus intervenientes, mas ocorreu pela confrontação destes intervenientes com os limites de estabilidade do sistema em que actuam. Sistema este da troca D-D’ que, como explicitado acima, tem os seus limites (também) na produção económica.

Contudo, as respostas que os “lados B” encontram para superar as contradições em que a sociedade se encontra passam por defender a continuidade do sistema, puxando o lustro àética dos especuladores e dos governantes que com eles sempre pactuaram. Como se a moral dominante não fosse um reflexo das condições materiais da sua época…

O discurso destes vinis é que já se encontra gasto! É necessário que as massas trabalhadoras e não monopolistas ganhem consciência dos limites do nosso sistema económico actual, para a tendência real de diminuição das suas condições de vida e deincremento das desigualdades – em particular na presente altura de crise. E é urgente que esta tomada de consciência se efective em acção social e política! Quer nas negociações dos salários e na defesa do emprego com direitos, quer em iniciativas de contestação ao aumento da taxa de exploraçãoE é isso que nós andamos a fazer.

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retirado daqui: Cheira-me a Revolução!
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[1] não se trata do escudo. É uma mera representação para o exemplo.
[2] uso fantástico, por parte dos autores, de um recurso estilístico! ironia/sarcasmo.
.
 
Algumas imagens – e consulta – são mais-valia retirada do blog anonimo sec xxi
consultado ainda Conceitos Fundamentais de O Capital, de Lapidus e OstrovitianoReading Marx’s Capital with David Harvey Capitalism Hits the Fan: A Marxian View
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“Exército de Reserva”.

Em 1866, Marx terminou o 1º volume da sua obra máxima “O Capital”, que retrata na perfeição como se encontram definidas as sociedades actuais e o que é necessário para as modificar, tornando-as mais justas em relação á distribuição da riqueza produzida pelo colectivo chamado sociedade.

 Todavia, deve-se registar que em 1864, Marx, participou da fundação da chamada “Associação Internacional dos Trabalhadores”, em Londres. E foi precisamente essa associação que mais tarde ficou conhecida como a “1ª Internacional”, cujo lema era: “a emancipação da classe operária deve ser obra dos próprios operários”. Mais que uma sentença, ali já se indicava que os Proletários não podiam, nem deveriam, esperar que a sua libertação fosse concedida pela burguesia; pelo contrário, ela só seria efectiva se fosse conquistada pela luta dos trabalhadores. Caberia aos mesmos serem os protagonistas da sua história. Foi, sem dúvida alguma, a primeira teorização acerca da emancipação do Homem escravizado por outro Homem.

A sua sobrevivência não necessita de caridade, mas estaria vinculada ao produto do seu trabalho.

Mudança, claro, que não interessava à burguesia que pressentia duas perdas:

  1. – Perderia o domínio e a exploração da força do trabalho
  2. – Perderia o seu status social e dos privilégios a ele inerentes.

 Para a grande maioria dos intelectuais esse trabalho é a obra-prima de Marx e esta obra está conotada como um livro de economia. O subtítulo “Critica da Economia Politica” contribuiu para essa classificação. Porém, a meu ver, será mais uma análise sociológica, isto é, conforme Marx questionou e definiu; o que leva, o porquê, qual o motivo que a “Economia Cientifica Burguesa” explora outro Homem, concretamente, o que leva o Homem a explorar outro Homem?

Da sua magnânime obra surgiram dois pontos básicos na teoria Marxista: A Mais-Valia e o Exército de Reserva.

 MAIS-VALIA

 De forma muito resumida, para Marx a Mais-Valia é sinónimo de “apropriação indevida”, ou simplesmente “roubo”. O “roubo” que o patrão pratica contra o empregado.

Sabemos que o trabalhador não tem os MEIOS DE PRODUÇÃO, ou seja, não tem máquinas, capital, terras, etc. que são necessários para que se produza alguma coisa. Dispõe apenas da sua força física e/ou intelectual. E é isto que ele oferece ao patrão, porque este tem os meios de produção. Pois bem, ambos dispõem de algo para que em “sociedade” produzam alguma coisa.

Para Marx a própria ideia de que há uma “sociedade” ou “associação” entre patrão e empregado, ou entre burguês e proletário é falsa, na medida em que o princípio de distribuição igualitária do produto fabricado é constantemente negado. Logo, não se pode falar em “associação”. O que há desde o princípio é a pura LEI DA SELVA. O mais forte (ou ardiloso, sem escrúpulos, insensível, etc.) domina o mais fraco. Quando o trabalhador troca a sua força física e/ou intelectual por um salário, deixa automaticamente de ser um “sócio”, já que o seu ganho é fixo e não proporcional aos ganhos auferidos pela “sociedade”, tornando-se assim um dos instrumentos necessários à produção. O trabalhador passa ser mais uma “mercadoria” ou “matéria-prima” que se compra por um preço pré-estipulado.

Ao contrário, o ganho capitalista é directamente proporcional ao lucro gerado pelo produto realizado. Digamos, a parte que ele investiu na “sociedade”( Os meios de produção: máquinas, ferramentas, terras, etc.) foi mais rentável que o investimento que o trabalhador fez. Isto é óbvio quando não há prejuízo. Mas mesmo nesta hipótese, será sempre o trabalhador o mais prejudicado, pois antes de outras despesas o seu salário é cortado, quando não o próprio posto de trabalho.

Porém, ao contrário de outros instrumentos que têm os preços fixos, e mediante a sua utilidade e/ou importância, o “Trabalhador Mercadoria” (termo utilizado por Marx) produz mais valor em cada coisa que faz. Pode-se provar esta afirmação com dois exemplos:

  1. Imagine-se o seguinte: compra-se um camião por um certo preço, capaz de transportar 30 toneladas. Todavia, este camião está adaptado (treinado) para transportar mais uma ou duas ou até mesmo mais cinco toneladas. Assim, o camião dará um lucro extra de 5 toneladas por cada trabalho que execute. E mesmo sendo explorado ele continuará a funcionar com a mesma quantidade de combustível, manutenção e outros cuidados básicos.
  2. Outro exemplo desta situação: patrão e trabalhador necessitam cada um, de doze sacos de farinha, para sobreviverem. Contudo, a produção da “sociedade” entre ambos rendeu vinte e quatro sacos para cada um. Ou seja, doze a mais que as suas necessidades básicas. Pela lógica do equilíbrio, esse excedente seria dividido em partes iguais (ou o mais próximo possível dessa igualdade). Como é óbvio, NÃO é o que acontece, pois o preço do trabalhador é fixo, independentemente da sua produção superar o valor daquilo que lhe é pago. Pois bem, Capital e Trabalho produziram quarenta e oito sacos, das quais doze são propriedade do trabalhador enquanto que as trinta e seis restantes são do capitalista. Dessas trinta e seis, subtrai-se a dúzia que lhe é necessário à sua subsistência, e os vinte e quatro sacos excedentes, o capitalista irá utilizar como melhor lhe aprouver. São a estas vinte e quatro sacas a que Marx chama de “MAIS-VALIA”

 Resumindo: o valor daquilo que o trabalhador produz vai além do que é necessário para a sua sobrevivência. É obvio que o capitalista, por receber mais que o trabalhador, viva em melhores condições, dando oportunidade aos seus descendentes de terem uma vida melhor, terem melhor alimentação e por consequência melhor saúde, mais vigor, e todas as demais vantagens que um rendimento maior pode comprar. Além desses gastos haverá uma sobra que, geralmente, é usada para adquirir (ou reinvestir no negócio) mais e mais meios de produção. E com isto, afirmar contínua e progressivamente a sua posição de predominância na “sociedade” que estabelece com o trabalhador, dando-se ao direito de exigir progressivamente maiores bocados do valor produzido. Mais e mais, torna-se o “Sócio Maioritário” que dita as regras que orientarão as “sociedades” que já mantém, ou as que venham manter com os proletários.

Colocado isto, chega-se à constatação de que o aumento do poder do capital é irreversível, na mesma maneira em que aumenta a miserabilidade do trabalho.

 EXERCITO DE RESERVA

 Quando analisamos a “Lei Geral da Vida” encontramos a situação básica de que vivem os mais fortes e sobrevivem os que lhes obedecem.

É próprio da natureza dos Seres (inclusive os humanos) cuidarem primeiramente dos seus interesses e só depois (desde de que haja alguma sobra) repartir com os demais. Pois bem, a dinâmica do capitalismo é o que de melhor se adapta a esta idiossincrasia. Cada qual cuida dos seus interesses, com ética ou não, para repartir eventuais sobras. E assim se chega de uma maneira, perversa para alguns, que tem-se mostrado eficiente: repartem-se as sobras de tal modo que se permita ao proletário (o sócio minoritário) sobreviver sem que possa avançar para além disso.

Poderemos então afirmar que o capitalismo é quase congénito, nasce com o Homem. O Homem nasce capitalista. O burguês a ser servido e o proletário condicionado a servir.

Porém, a determinada altura, a injustiça na repartição dos produtos do trabalho é contestada por alguém, ou por alguns, ou por uma classe social, etc. E é quando acontecem as revoltas, guerras civis, golpes de estado, tiranias, etc. mas até que se chegue a este ponto, o sistema continua a funcionar. Então há uma pergunta que é imperativa fazer-se: Por que é que o proletário se recusa a ser ludibriado?

É aqui que entra o “Exército de Reserva”.

Ora o primeiro instinto de qualquer Ser (inclusive o humano) é o instinto da sobrevivência. Ele não hesita em desenrascar-se, a ultrapassar obstáculos mesmo que seja contra a ordem moral.

Mas antes de avançar com o raciocínio anterior, será útil recordar que as classes servis são chamadas de proletariado e convém explicar o porquê de se chamar proletariado. Chama-se proletariado porque, precisamente, geram Proles. Normalmente vastas proles. Proliferam! E que este é o segundo instinto mais presente em todos os Seres (inclusive os humanos). Proliferar. Conservar a espécie.

Então continuando o raciocínio anterior, juntando estes dois instintos básicos e imperativos, chega-se à génese; o proletário sujeita-se á injusta divisão do que ajudou a fazer, porque TEM de sobreviver, porque TEM de procriar. E sabe quase que instintivamente (ou porque foi habituado/levado a acreditar nisso) se não se sujeitar haverá muitos outros que ocuparão, de bom agrado, o seu posto de trabalho. Deste modo, a reserva de mão-de-obra é infinita e perpetua a lógica do sistema capitalista.

Os Homens mais cruéis dominam os mais mansos, como aliás, acontece em qualquer outro ajuntamento de Seres. O leão mais forte, a raposa mais astuta, o Homem sem escrúpulos, etc., etc., etc. É esta usurpação violenta (quer seja física ou não) que consolidou, em certa medida, o Capitalismo e que pode ser vista até aos nossos dias, nos quais já vigoram Leis e Costumes que tentam disciplinar esta mecânica de exploração e consequentemente a acumulação de riquezas por um lado e de miserabilidade por o outro. É o que se chama de “Social-democracia”.

Admite-se que a ferocidade seja a substância de todos os Seres, mas tenta-se domá-la. Mesmo que os resultados não sejam exactamente o esperado.

O Exército de Reserva vincula-se aos instintos básicos de sobreviver e proliferar. Esta origem pode ser decomposta segundo os géneros.

O homem, após a revolução industrial passou a enfrentar a concorrência com os seus pares e com as máquinas. Assim, o concorrente que era UM (outro homem), passou a ser DOIS (outro homem mais a máquina).

A entrada da mulher no mercado de trabalho será a terceira concorrente de mão-de-obra.

 Com as guerras mundiais, principalmente a segunda, a mulher assumiu os trabalhos que os homens faziam, uma vez que eles foram enviados para os campos de batalha; e o que deveria se “transitório” tornou-se definitivo. Então os concorrentes do homem já não eram UM nem DOIS, mas sim, TRÊS (outro homem + máquinas + mulheres). Mas o pior de tudo isto, é que todos eles sujeitaram-se a ganhar menos. As máquinas, uma simples manutenção; e a mulher, um salário que ainda hoje gira em torno de 60% do que é pago ao operário (homem). Com estes novos dados, não foi a classe trabalhadora que chegou ao paraíso, bem pelo contrário, foi a burguesia, que pôde a partir de então usar e dispor a seu belo prazer da excessiva oferta de mão-de-obra.

Mas, pode-se fazer a seguinte pergunta: Se o Exército de Reserva cresceu, os seus protestos para melhores condições laborais também cresceria, certo? Em princípio sim. Mas porque é que não aconteceu? Pela ardilosidade/inteligência da burguesia porque entendeu o tamanho da fera que criou e para evitar ser trucidado pela mesma, aumenta, sem que isso lhe cause prejuízo, as rações diárias que a mantém bem comportada e, até, submissa, o CONSUMO.

Quando Marx disse que a religião era o ópio do povo foi modesto, pois além dela, agora existe a possibilidade de consumir. E algum consumo afaga os Egos e mantém as linhas de produção a trabalhar, sem qualquer tipo de problema.

Com a crise financeira que se iniciou nos Estados Unidos da América e que se espalhou pelo mundo poderá perguntar-se se está próximo o fim do Capitalismo? A era do Comunismo chegou? NÂO. Pode-se assegurar que não, por um simples motivo: os Homens continuam iguais e é no Capitalismo que existe a prática da sua teoria. Primeiro os interesses individuais e depois, se possível, repartem alguma sobra. Menos por generosidade e mais por sagacidade, tendo em vista que “feras” alimentadas dificilmente atacam os seus donos.

E quanto ao Socialismo? O Comunismo? Estarão mortos e definitivamente enterrados? Também não, pois embora não sejam aplicados sempre existirão os SONHADORES que imaginam o Homem a avançar na escala evolutiva. Pois a sociedade que surgir para lutar contra este sistema instituído, será a sociedade Comunista, ou seja, aquela que em tudo é comum, tudo é todos. Todos serão iguais. Como Marx e Engles escreveram, será a culminância da trajectória da evolução humana. Pela primeira vez agiremos de maneira diferente dos animais, onde até aqui a força é que dita a hierarquia. Levar os Homens a lutarem por algo que fosse além dos seus próprios interesses. Que lutassem por uma causa comum. Eis a importância de ser COMUNISTA e lutar pelo COMUNISMO.

Ler também aqui:

11 respostas a 06 – A lei da Mais- Valia

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