04-A produção da Mais-valia – dois métodos do seu aumento

Produção de mais-valia

Valor criado pelo operário assalariado, acima do valor da sua força de trabalho e do qual o capitalista se apropria gratuitamente.

Trabalho necessário

Tempo durante o qual o operário reproduz o valor de uso da sua força de trabalho.

Trabalho suplementar

Tempo de trabalho durante o qual o operário cria a mais-valia.

As duas vias de aumento da mais-valia

1 – Ela pode ser aumentada por meio do prolongamento da jornada de trabalho, já que neste caso cresce o tempo de trabalho suplementar. – Esta é a mais-valia absoluta.

Na época actual a mais-valia absoluta existe em forma do aumento da intensidade do trabalho, na redução das horas de descanso, etc.

2 – Segunda forma é a mais-valia relativa. Conseguida em resultado do aumento da produtividade do trabalho, em todos os ramos da economia nacional ou nos ramos que produzem os meios de subsistência do operário e dos membros da sua família.

Neste caso diminuiu o valor da força de trabalho e é reduzido o tempo de trabalho socialmente necessário, aumenta a taxa de mais-valia e cresce a massa da mais-valia.

Na sociedade capitalista, a associação da força de trabalho aos meios de produção efectua-se através da compra e venda, através do mercado, em que o capitalista adquire a força de trabalho e os meios de produção.

Por isso, o processo de trabalho é um processo de consumo da força de trabalho do operário assalariado pelo capitalista e distingue-se por duas particularidades:

– Primeiro lugar, efectua-se para o capitalista e debaixo do controlo do capitalista. O capitalista monopolizou os meios de produção e dispõe livremente, durante o tempo de trabalho, da força de trabalho que adquiriu como mercadoria.

– Em segundo lugar, o produto criado no processo de trabalho não pertence ao seu produtor directo, ao operário assalariado, mas sim ao capitalista.

Ao comprar os meios de produção e a força de trabalho, o capitalista pensa em duas coisas:

– Primeiro quer produzir um valor de uso dotado de valor de troca, quer dizer, mercadoria;

Em segundo lugar, quer produzir uma mercadoria cujo valor seja maior que o valor inicialmente investido por ele, com o fim de obter mais-valia.

Os valores de uso, por si só, não interessam ao capitalista, tanto se lhe dá produzir camiões, manteiga, sapatos ou qualquer outra coisa. A produção de valor de uso só lhe é necessária enquanto este for portador material de valor. No processo de criação de mercadorias o que interessa ao capitalista é obter a mais- valia.

A essência do processo de produção como incremento de valor e de criação de mais-valia consiste no consumo de uma mercadoria específica, a força de trabalho pelo capitalista.

Supúnhamos que um capitalista organiza a produção de sapatos e que numa jornada de 8 horas a empresa fabrica 1000 pares de sapatos, em cuja produção participam 100 operários.

Admitamos que o capitalista gastou as seguintes somas, em dinheiro, para aquisição de meios de produção:

.Edifícios, instalações (desgaste dia) ———————–100 dólares.

. Máquinas e outros meios de desgaste (desgaste dia—–100 dólares.  

. Matéria-prima, materiais e combustível (desgaste dia) -2000 dólares.

Admitamos que o montante médio dos meios de subsistência diária de um trabalhador requer 4 horas de trabalho médio para a sua reprodução e que o valor diário da força de trabalho de um operário sejam 6 dólares, portanto o capitalista investiu 600 dólares.

Assim todos os gastos do capitalista para produzir os 1000 pares de sapatos será de 2800 dólares.

Ao produzir os sapatos, os operários gastam certa quantidade de trabalho vivo.

O seu trabalho reveste-se de duplo carácter: por um lado é trabalho concreto e, por outro, trabalho abstracto. No processo de produção, os operários modificam com o seu trabalho concreto, os valores de uso das matérias-primas e dos materiais auxiliares e criam novo valor de uso. Os valores dos meios de produção gastos conservam-se e transferem-se ao produto fabricado.

A transferência do valor dos meios de produção à mercadoria recém criada é efectuada pelo trabalho concreto do operário.

No exemplo aduzido, este valor será de 2200 dólares (igual aos gastos do capitalista em aquisição de meios de produção).

Ao mesmo tempo, com o seu trabalho abstracto, os operários criaram um novo valor. Admitamos que cada operário cria numa hora o equivalente a 2 dólares, os 100 operários criam neste tempo, durante as 8 horas da jornada de trabalho, um novo valor equivalente a 1600 dólares.

Assim o valor de 100 pares de sapatos compreende:

– O valor dos meios de produção consumidos e transferidos ao produto criado igual a ——-2200 dólares.

– O novo valor criado pelo trabalho de 100 operários durante as 8 horas da jornada, igual a —–1600 dólares.

Ao vender os sapatos de acordo com o valor, o capitalista embolsa mais dinheiro que o antecipado. A diferença entre o valor de 1000 pares de sapatos e o antecipado para a sua produção é igual a 1000 d´lares, (D’ – D =3800-2800) estes 1000 dólares constituem precisamente a mais-valia.

O valor antecipado pelo capitalista aumentou porque os operários trabalharam mais tempo que o necessário para reproduzir o equivalente do valor da sua força de trabalho.

No exemplo dado, os operários deveriam trabalhar apenas 4 horas para reporem o equivalente do valor da sua força de trabalho (se só trabalhassem as 4 horas nenhuma mais-valia ou nenhum sobre produto iria para o capitalista) mas trabalharam 8 horas. Por isso criaram um valor maior que o da sua força de trabalho, o capitalista adquiriu o direito de utilizar seu valor de uso durante toda a jornada de trabalho e obriga os operários a trabalharem 8 horas e não 4.

Nota: o dinheiro antecipado pelo capitalista para contratar mão-de-obra é empregue para manter a actividade vital dos operários, isto é, para adquirirem artigos de uso, de consumo e pagarem serviços, etc.

 Ver Karl Marx. Obras Escolhidas. Edições Avante. Tomo II pág. 58 e 59.

Taxa e massa da mais-valia

A massa da mais-valia, de que se apropria o capitalista, é a magnitude absoluta da mais-valia.

A magnitude relativa da mais-valia, ou seja, o grau de ampliação do capital variável, é determinada pela proporção entre a mais-valia e o capital variável (  p/v ). Esta proporção expressa em tanto por cento denominou-a K. Marx – taxa de mais-valia e designou-a com a letra p’.

 O valor do capital variável é igual ao valor da força de trabalho comprada pelo capitalista, e o valor desta última determina as proporções de trabalho necessário do operário. Dito por outras palavras, o capital variável reproduz, durante o tempo de trabalho, o trabalho necessário do operário.

A mais-valia é criada pelo sobre trabalho do operário durante o temo adicional. Por isso, a razão entre a mais-valia e o capital variável é a mesma que entre o sobre trabalho e o trabalhão necessário, ou seja: p’=p/v=(sobre trabalho)/(trabalho necessário)

 No primeiro caso ( p/v ), a taxa de mais-valia expressa-se em forma de trabalho materializado, no segundo ,(sobre trabalho)/(trabalho necessário)  em forma de trabalho corrente. A relação entre sobre trabalho e trabalho necessário(sobre trabalho)/(trabalho necessário) expressa o grau de exploração  do produtor pelo proprietário dos meios de produção em qualquer sociedade antagónica. E a relação entre a mais-valia e o capital variável ( p/v ) é a forma especifica da expressão do grau de exploração dos operário assalariados pelo capitalista.

“…a taxa de mais-valia – escreveu Marx – é a expressão exacta do grau de exploração da força de trabalho pelo capital  ou do operário pelo capitalista”…(1)

 A taxa de mais-valia mostra como se distribui o valor recém-criado (v+p) entre o capitalista e o operário assalariado, assim como que parte da jornada trabalha o operário para si e que parte, para o capitalista.

Se o operário trabalha metade da jornada para si e outra parte para o capitalista o grau de exploração será igual a 100%.

A determinado valor da força de trabalho, a taxa de mais-valia determina a massa de mais-valia que produz o operário. Quanto mais alto é o grau de exploração maior a massa de mais-valia. A relação entre a massa de mais-valia e o grau de exploração reflecte-se na seguinte fórmula:  p’=p/v X 100%. Daí p=v. p’. Por conseguinte, a massa de mais-valia é igual à magnitude do capital variável, antecipado, multiplicado pela taxa de mais – valia.

 Com o desenvolvimento do capitalismo eleva-se a taxa de mais-valia, o que prova que incrementa a exploração dos operários. Assim, a taxa de mais – valia na indústria transformadora dos Estados Unidos em 1909 era de 130%; em 1929 era de 158%; em 1953, de 240%, e em 1966, de 314%.

 O crescimento do grau de exploração dos operários é condicionado pela sede insaciável de apropriação da mais-valia pelos capitalistas. A elevação da taxa de mais-valia faz-se por duas vias: mediante a produção da mais- valia absoluta e mediante a produção da mais- valia relativa.

Ver também aqui:

E aqui:

 (1)  – K. Marx. O capital, t. 23, pág. 229

17 respostas a 04-A produção da Mais-valia – dois métodos do seu aumento

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    Para um estudo básico introdutório do marxismo-leninismo, e para ser enriquecido a cada momento, o estudante deverá começar com o seguinte: “Manifesto Comunista” de Marx e Engels, “Socialismo Utópico e Científico” e “Discurso à Beira do Túmulo de Carlos Marx” de Engels (em “Obras escolhidas” de Marx, vol. IX); “Economia Política” de Leontiev, “Estado e Revolução” e “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo” de Lénin, “18 Brumário de Luis Bonaparte” e “Guerra Civil na França” de Marx, “Fundamentos do Leninismo” de Stalin (os capítulos sobre a teoria e o Partido), “Frente Única Contra o Fascismo” de Dimitrov, e “Marxismo-Leninismo vs. Revisionismo”, de W. Foster e outros.

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