01-Valor-de-uso…

A teoria de Marx de Valor – base inicial para a análise do capitalismo

Marx começa por analisar a mercadoria como uma coisa que, pelas suas propriedades, satisfaz as necessidades humanas.

A mercadoria é o produto do trabalho humano que satisfaz uma das necessidades dos homens e é destinada à troca.

A mercadoria possui as duas propriedades seguintes:

  1. O valor de uso;

  2. O valor ;

O Valor de uso deve ter um carácter social e satisfazer as necessidades, não dos produtores mas da sociedade.

Os produtos do trabalho humano têm diferentes valores de uso que se desenvolvem `medida da evolução da sociedade.

O Valor de Uso é uma categoria económica transitória, que existe apenas na produção mercantil.

Assim cada mercadoria tem um certa utilidade o que faz dela um valor-de-uso

Este valor-de-uso só é realizado com a utilização ou consumo.

Os valores-de-uso são, ao mesmo tempo, os veículos materiais do valor-de-troca.

Valor-de-troca é a capacidade da mercadoria ser trocada, em determinadas proporções, por outras mercadorias.

As mercadorias não podem ser trocadas em quaisquer proporções quantitativas, estas proporções são determinadas no próprio processos de troca.

Embora o Valor de Uso, seja uma condição necessária para a roca, não pode constituir uma base das proporções na troca, porque as mercadorias, como Valor de Uso, são qualitativamente diferentes e quantitativamente incomensuráveis.

Aquilo que une as mercadorias e permite fazer a troca é o trabalho humano nelas materializado. O trabalho humano abstracto  e socialmente necessário, materializado na mercadoria chama-se Valor.

As mercadorias como Valor são são qualitativamente homogéneas e quantitativamente comensuráveis, ou seja, já se pode medir o seu Valor.

O Valor e o Valor de Troca não são idênticos: O Valor constitui a substância e o Valor de Uso a forma da sua manifestação. Por isso as duas propriedades que possui a mercadoria são o Valor de Uso e o Valor.

O valor de troca expressa-se no facto de todas as mercadorias serem produto da força de trabalho. Esta é a propriedade comum a todas as mercadorias.

Na base da igualdade de duas mercadorias, que se trocam, está o trabalho social gasto na sua produção.

Valor-de uso da mercadoria caracteriza o seu aspecto material e é produto do trabalho concreto.

Valor-de-troca da mercadoria caracteriza o seu aspecto social e é produto do trabalho abstracto.

O valor das mercadorias é o trabalho social dos produtores mercantis materializado na mercadoria.

Um valor-de-uso só possui valor porque está corporificado, materializado trabalho humano abstracto.

A grandeza deste valor mede-se por meio da quantidade de “substância criadora de valor” nele contida, o trabalho.

A quantidade de trabalho mede-se pelo tempo da sua duração.

O tempo de trabalho, por fracções de tempo, como hora, dia, semana, mês etc.

O desenvolvimento das formas do Valor e o dinheiro

O Valor da mercadoria não é expresso directamente em unidades de tempo de trabalho, mas indirectamente em forma de Valor de Troca.

Desta forma o Valor de Troca é a expressão do valor de uma mercadoria, no valor da outra. A expressão deste valor é o dinheiro, mas antes do aparecimento do dinheiro, as formas do valor atravessaram várias etapas no seu desenvolvimento.

  1. Forma simples ou casual;

Nesta etapa a troca realizava-se de modo irregular e casual e o valor da mercadoria que era trocada era expresso no valor de uso da outra mercadoria.

Exemplo: 1 Ovelha = 2 sacos de trigo

O valor da ovelha está na forma relativa e o trigo serve de equivalente.

Para este valor na forma simples do valor, manifesta-se a contradição inerente da mercadoria em geral, entre o valor e o valor de uso.

Com o desenvolvimento das forças produtivas e a divisão social do trabalho, aparecem novas mercadorias que servem de equivalente para a mercadoria que é trocada. Aparece a segunda forma de valor completa ou desenvolvida:

Exemplo: 1 Ovelha = 2 sacos de trigo ou 3 metros de tecido ou 1 charrua ou 2 gramas de ouro, etc.(Ovelha relativa – Outros equivalentes)

A troca faz-se apenas através da ovelha e não entre produtos equivalentes, porque eles não sabem o valor de uso destes produtos. Sabem apenas que  tantas quantidades do seu produto vale uma ovelha.

Esta forma de troca tinha as suas deficiências porque dificultava a troca directa entre os produtores. Surgiu a necessidade de um só equivalente para todas as mercadorias numa determinada zona:

Relativa: 2 sacos de trigo ou 3 metros de tecido ou 1 charrua ou 2 gramas de ouro= equivalente 1 Ovelha.

Forma universal de Valor:

Na terceira etapa o Valor assumiu aforma universal. Os equivalentes para todas as mercadorias variam em diferentes zonas, (ovelhas, sal, concha, marfim, pedra, etc.) porém, com o desenvolvimento das relações internacionais e a ampliação do mercado, destacam-se como equivalentes os metais; o cobre, o ferro e na época moderna o Ouro.

Aparecimento do dinheiro:

Assim surgiram 4 formas do valor monetário e apareceu o dinheiro:

Exemplo: Relativa: 2 sacos de trigo-3 metros de tecido – 1 charrua – 1 ovelha, etc.- Equivalente: 2 gramas de Ouro

O Ouro como dinheiro, como equivalente universal tem uma serie de vantagens:

  1. É facilmente divisível;
  2. Resiste às condições naturais;
  3. É transportável;
  4. Contém em pouco volume muito valor.

O dinheiro é a mercadoria que serve de equivalente universal para toadas as mercadorias.

O valor de uso do dinheiro como mercadoria é a sua capacidade de servir de equivalente universal. E o valor é o tempo de trabalho socialmente necessário para a sua extração.

As funções do dinheiro

O dinheiro como mercadoria contém as contradições inerentes a todas as mercadorias, entre o carácter privado, exprime as relações de produção dominantes.

O dinheiro exerce 5 funções:

  1. Medida de valor;
  2. Meio de circulação;
  3. Meio de pagamento;
  4. Meio de acumulação ou tesouro;
  5. Dinheiro mundial.

O dinheiro como medida do valor serve para a expressão dos valores de todas as mercadorias no valor de dinheiro. O valor da mercadoria expresso em dinheiro chama-se preço.

O dinheiro que mede os valores de outras mercadorias  é medido em peso do ouro que corresponde à divisa nacional.

A escala dos preços é a expressão da unidade monetária nacional em determinada quantidade de ouro.

O aparecimento do dinheiro levou à sua função como meio de circulação, quando ele serve de intermediário na troca mercantil.

M – M antes do dinheiro.

M-D-M depois do dinheiro – circulação mercantil monetária.

O facto de o ouro só representar o valor e não ser necessário o seu valor próprio permite a circulação do papel-moeda que representa uma determinada quantidade em ouro.

O dinheiro serve de meio de pagamento na venda a crédito, nos pagamentos mútuos e outras operações quando o dinheiro não aparece imediatamente.

Quando o dinheiro é retirado da circulação cumpre a função de meio de acumulação ou tesouro.

O dinheiro mundial funciona no mercado internacional em forma real do ouro.

Ler também aqui:

16 respostas a 01-Valor-de-uso…

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    Marx e Engels -O valor do Trabalho – Pg. 47, obras escolhidas, edições Avante.

    “ O que é o valor de uma mercadoria? Como é que ele é determinado?” a esta questão responde Marx: …” À primeira vista, pareceria que o valor de uma mercadoria é uma coisa muito relativa e que não pode ser estabelecido sem considerar uma mercadoria nas suas relações com todas as outras mercadorias. DE facto, ao falar do valor, do valor de troca de uma mercadoria, queremos significar as quantidades proporcionais em que ela se troca com todas as outras mercadorias. Mas, então, surge a questão: como estão reguladas as proporções em que as mercadorias se trocam umas pelas outras?
    Sabemos por experiência própria que estas proporções variam infinitamente. Tomando uma única mercadoria – o trigo, por exemplo – , verificamos que um quarter de trigo se troca, em variações de proporção quase sem conta, por diferentes mercadorias. Todavia, permanecendo o seu valor sempre o mesmo, se expresso em seda, ouro ou qualquer outra mercadoria, tem de ser algo distinto e de independente destas diferentes taxas de troca com diferentes artigos. Tem de ser possível expressar, numa forma muito diferente, estas várias equações com várias mercadorias.
    Além disso, se eu disser que um quarter de trigo se troca por ferro numa certa proporção, ou que o valor de um quarter de trigo é expresso num certo montante de ferro, digo que o valor do trigo e o seu equivalente em ferro são iguais a uma terceira coisa, que não é nem trigo nem ferro, porque eu suponho que eles expressam a mesma grandeza em duas formas diferentes. Cada um deles, o trigo ou o ferro, tem, portanto, independentemente do outro, de ser redutível a essa terceira coisa que é sua medida comum.
    Para elucidar este ponto recorrerei a uma ilustração geométrica muito simples. Ao comparar as áreas de triângulos de todas as formas e grandezas possíveis, ou ao comparar triângulos com rectângulos ou qualquer outra forma rectilínea, como é que procedemos? Reduzimos a área de um qualquer triângulo a uma expressão muito diferente da sua forma visível. Tendo achado, a partir da natureza do triângulo, que sua área é igual a metade do produto da sua base pela sua altura, podemos então comparar os diferentes valores de todas as espécies de triângulos e de todas e quaisquer figuras rectilíneas, porque todas elas podem ser resolvidas num certo número de triângulos.
    O mesmo modo de proceder tem de se aplicar aos valores das mercadorias. Temos de ser capazes de reduzir todas elas a uma expressão comum a todo, distinguindo-os apenas pelas proporções em que contêm essa medida idêntica.
    Como os valores de troca das mercadorias são apenas funções sociais dessas coisas e não têm absolutamente nada a ver com as suas qualidades naturais, temos de perguntar, em primeiro lugar: qual é a substância social comum de todas as mercadorias? É o Trabalho. Para produzir uma mercadoria, um certo montante de trabalho tem de ser posto nela ou aplicada nela. E não digo apenas Trabalho, mas trabalho social. Um homem que produz um artigo para seu próprio uso imediato, para ele próprio o consumir, cria um produto, mas não uma mercadoria. Como produtor que se sustenta a si próprio, não tema nada a ver com a sociedade. Mas, para produzir uma mercadoria, um homem não tem apenas de produzir um artigo que satisfaça alguma necessidade social, o seu próprio trabalho tem de ser parte integrante da soma total de trabalho gasta pela sociedade. Tem de estar subordinado à Divisão do Trabalho no interior da Sociedade. Não é nada sem as outras divisões do trabalho e, pela sua parte, é requerido para a integrar.
    SE considerarmos as mercadorias como valores, consideramo-las exclusivamente sob o único aspecto de trabalho social realizado, fixado ou, se se quiser, cristalizado. Sob este aspecto, podem diferir, apenas por representarem quantidades maiores ou mais pequenas de trabalho, como, por exemplo, por poder ser empregue num lenço de seda um maior montante de trabalho do que num tijolo. Mas, como é que se medem quantidades de trabalho? Pelo tempo que o trabalho dura, medindo o trabalho à hora, ao dia, etc. Claro que para aplicar esta medida todas as espécies de trabalho são reduzidas ao trabalho médio ou simples como sua unidade…”

  3. NOSSA! muito legal poder entender um pouco mas, sobre esses conceito de karl marx.

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    Mas o estudo destes temas tem de partir da iniciativa individual de cada um, aqui ficam algumas sugestões:
    Para um estudo básico introdutório do marxismo-leninismo, e para ser enriquecido a cada momento, o estudante deverá começar com o seguinte: “Manifesto Comunista” de Marx e Engels, “Socialismo Utópico e Científico” e “Discurso à Beira do Túmulo de Carlos Marx” de Engels (em “Obras escolhidas” de Marx, vol. IX); “Economia Política” de Leontiev, “Estado e Revolução” e “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo” de Lénin, “18 Brumário de Luis Bonaparte” e “Guerra Civil na França” de Marx, “Fundamentos do Leninismo” de Stalin (os capítulos sobre a teoria e o Partido), “Frente Única Contra o Fascismo” de Dimitrov, e “Marxismo-Leninismo vs. Revisionismo”, de W. Foster e outros.

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